in rainbows [entries|friends|calendar]
gisela

[ website | Flickr ]
[ userinfo | livejournal userinfo ]
[ calendar | livejournal calendar ]

[24 May 2008|08:39pm]


A VIDA E A POESIA COMO TORRENTE DE ÁGUAS DO CHILE

A minha poesia e a minha vida decorreram como um rio americano, como uma torrente de águas do Chile, nascidas na profundidade secreta das montanhas austrais, dirigindo sem cessar o movimento das suas correntes para uma saída marinha. A minha poesia não repeliu nada do que pôde trazer no seu caudal; aceitou a paixão, explicou o mistério, e abriu passagem entre os corações do povo. Coube-me sofrer e lutar, amar e cantar; couberam-me, na partilha do mundo, o triunfo e a derrota, provei o gosto do pão e do sangue. Que mais quer um poeta? E todas as alternativas, desde o pranto até aos beijos, desde a solidão até ao povo, vivem na minha poesia, actuam nela, porque eu tenho vivido para a minha poesia e a minha poesia tem sustentado as minhas lutas. E se muitos prémios alcancei, prémios fugazes como mariposas de pólen fugitivo, alcancei um prémio maior, um prémio que muitos desdenham mas que na realidade é para muitos inalcançável. Cheguei através de uma dura lição de estética e de procura, através dos labirintos da palavra escrita, a ser poeta do meu povo. O meu prémio é esse, não os livros e os poemas traduzidos ou os livros escritos para descrever ou dissecar as minhas palavras. O meu prémio é esse momento grave da minha vida quando na minha do carvão de Lota, sob o pleno sol na salitreira abrasada, da cova escavada na falésia, subiu um homem como se tivesse subido do Inferno, com a cara transformada pelo trabalho terrível, com os olhos avermelhados pelo pó e, estendendo-me a mão endurecida, essa mão que leva o mapa da pampa nos seus calos e nas suas rugas, me disse com os olhos brilhantes: ''Já te conhecia há muito tempo, irmão.'' Esses são os louros da minha poesia, esse buraco na pampa terrível, de onde sai um trabalhador a quem o vento e a noite e as estrelas do Chile disseram muitas vezes: ''tu não estás sozinho; há um poeta que pensa no teu sofrimento.''

PABLO NERUDA, CONFESSO QUE HE VIVIDO


[22 Feb 2008|02:22am]


Leonard Cohen


Poem ("I heard of a man ...")

I heard of a man
who says words so beautifully
that if he only speaks their name
women give themselves to him.


If I am dumb beside your body
while silence blossoms like tumors on our lips.
it is because I hear a man climb stairs and clear his throat outside the door.



*

Waiting for Marianne

I have lost a telephone
with your smell in it


I am living beside the radio
all the stations at once
but I pick out a Polish lullaby
I pick it out of the static
it fades I wait I keep the beat
it comes back almost alseep

Did you take the telephone
knowing I'd sniff it immoderately
maybe heat up the plastic
to get all the crumbs of your breath

and if you won't come back
how will you phone to say
you won't come back
so that I could at least argue


*

Song ("I almost went to bed ...")

I almost went to bed
without remembering
the four white violets
I put in the button-hole
of your green sweater


and how i kissed you then
and you kissed me
shy as though I'd
never been your lover



navigation
[ viewing | most recent entries ]

Advertisement